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quarta-feira, 24 de maio de 2017

Quem é o motorista?

Imagine-se em uma viagem de ônibus. Você é um passageiro. E você não pode ver o motorista. 

A viagem iniciou, e você já percebe que o motorista dirige rápido. Dá freadas bruscas e guinadas inesperadas. De repente, pela janela, você não reconhece o caminho, e  percebe que está indo para o lado oposto de onde gostaria de chegar. 

O que você faz? 

Vai conversar com o motorista e ver o que está acontecendo?

Se sua resposta for não, você está conformado com a situação. Tudo bem. É seu direito.

Se sua resposta for sim, você ultrapassou os limites de seu conformismo. Também é seu direito.

Em nossas vidas, a situação é semelhante.

Muitas e muitas pessoas sentem um grande anseio de serem melhores, de terem empregos melhores, relacionamentos melhores, controles emocionais e espirituais melhores e, contudo, estão conformadas com o que está acontecendo. Um primeiro passo nessas direções parece tão difícil. Assim, a possibilidade de sermos versões melhores de nós mesmo não passará mesmo de uma possibilidade.

A primeira ação que acontece quando decidimos nos mover em direção aos nossos sonhos e metas é quebrar o padrão do conformismo, dos reflexos condicionados, dos hábitos nocivos e das crenças limitantes. Só, então, o movimento inicial é possível. Em parte das vezes, a própria vida nos coloca em situações extremas em que o conformismo com o todo. precisa ser quebrado. Em outra parte, pessoas passam pela existência e morrem cercadas pelos muros do conformismo, sem nunca terem sabido o que havia lá fora. E, em outra parte, as pessoas resolvem assumir a responsabilidade de seu primeiro passo deliberadamente. Para essas pessoas, um processo de Coaching costuma ser um divisor de águas na busca por suas metas.

Viver pelos nossos sonhos não precisa significar viver livre de responsabilidades. Ao contrário, significa ser livre para que as responsabilidades realmente valham a pena. E veja que se trata de viver pelos sonhos, não necessariamente alcançá-los.  Viver pelos sonhos é buscar alcançar resultados positivos de maneira que preencha nossa existência com plenitude de propósito. Resultados pessoais e profissionais. Se possível, ao mesmo tempo.

Para tanto, é necessário saber aonde se quer chegar. Ajustar os planos nessa direção, e realizar as mudanças necessárias. E seguir fazendo mudanças dentro dessas mudanças, sempre que assim for preciso.

Por muitas vezes, nossas expectativas não parecem realísticas, e tendemos a abandonar nossos sonhos e metas. Porém, mesmo se a expectativa não parecer realista, o desejo é real, e muito. O movimento inicial para corrigirmos nossa rota na direção esperada é exatamente termos a coragem de aceitar que o desejo de chegar lá existe sim, sem necessariamente saber como alcançar seu objetivo.

Quando se está parado, não há obstáculos, apenas conformismo. Quando se quebra a barreira do conformismo, a paisagem muda, e, com isso, obstáculos aparecerão. Esses obstáculos nada mais são do que tijolos que formam as paredes desse conformismo. Assim que superados, virão outros e outros, exatamente para que novas paredes não comecem outra vez a nos oprimir. O movimento se tornará constante. E nos tornaremos cada vez mais hábeis nesse movimento de expansão de nossos horizontes.

Assim, deixamos de ser o passageiro do ônibus que não sabe para onde vai. Pedimos licença ao motorista (ou aos motoristas) que estão guiando (sabe-se lá para onde) e assumimos o volante. 

Você não precisa pagar passagem na viagem de sua vida.
Esse lugar é seu por direito.


Grato pela confiança,
Marcelo Pelissioli



sexta-feira, 5 de maio de 2017

Pessoas em nossas vidas


Outro dia, me foi pedido para escrever um cartão de aniversário para uma pessoa com quem convivo há 20 anos, para uma festa surpresa. E só então me dei conta que já fazia 20 anos.

A relação que temos é profissional. Nesse tempo, além da convivência profissional, também compartilhamos momentos festivos, como comemorações corporativas, bons resultados e sucessos mútuos em nossas vidas. Também, nesse tempo, inevitavelmente compartilhamos tristezas, pontos de discórdia, e distanciamento. Os altos e baixos de uma convivência.

E, assim, se foram 20 anos. 

Quando peguei o cartão para escrever palavas protocolares e de praxe, que expressassem simpatia pelo aniversário de alguém, por alguma razão, me detive. Um questionamento se impôs quase que em voz alta em minha cabeça:

"Qual a importância dessa pessoa em sua vida?"

Então, iniciou-se uma grande reflexão. "Como teria sido minha vida sem essa pessoa? O que de bom ela fez por mim, que eu não teria usufruído? O que eu teria deixado de aprender? O que contribuiu para mim, como ser humano, em todas as minhas dimensões, as nossas semelhanças e as nossas diferenças?"

"Será que venho dando o devido valor às pessoas que me rodeiam no dia-a-dia, e que trato como se fossem quase imperceptíveis em minha existência? Não terá o meu ritmo acelerado me ofuscado a visão para uma gama de seres humanos que estão lá, mesmo que como coadjuvantes participando do livro da minha vida? Mesmo que algumas pessoas fiquem pouco tempo em nossas vidas, não terão deixado algo para nós?"

"Estarei eu, baseado nesse quase desdém a essas pessoas com quem compartilho meus dias, estendido esse sentimento a pessoas ainda mais próximas e caras a mim? "

"Escrever "feliz aniversário" é o suficiente?"

Podia ser. Mas, naquele momento, eu preferi respirar, e responder a todas essas perguntas. E dar um tempo para que minha alma pudesse alcançar meu corpo, e conectar-me por inteiro.

Aí sim, o que era para ser um cartão, virou uma carta, escrita frente e verso. Sem melodramas e sem falsidades piegas. Apenas uma carta que expressava minha sincera gratidão por aquela pessoa fazer parte da minha vida. Porque, de verdade eu era grato por isso. Mas nunca tinha expressado isso. Nem me dado conta.

Espero que minhas palavras tenham feito bem a ela. Pois tenho certeza que a reflexão que ela me proporcionou fez muito melhor para mim.


Grato pela confiança,
Marcelo Pelissioli
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sábado, 22 de abril de 2017

Para começar, respire.


Na minha formação em Coaching, um dos aprendizados foi respirar. Ou melhor, lembrar que eu respirava.


A respiração é um dos aspectos visíveis da inteligência de nosso próprio corpo e que, apesar disso, está ligada a aspectos não visíveis, que ocorrem em nível celular. Se tivéssemos que ordenar a cada célula para que realizasse seu trabalho, e se tivéssemos que lembrar a cada momento que temos que respirar para nos mantermos vivos, um lapso de alguns minutos já seria fatal.

Aprendi algumas técnicas básicas de meditação para centrar-me no momento presente, no assim chamado aqui e agora. Apesar de técnicas bastante simples, que envolvem não mais do que a atenção em sua própria ação de inspiração e expiração, o resultado desses minutos de atenção plena a minha respiração tem um grande poder de me colocar em meu eixo comportamental e emocional em momentos de necessidade.

Sinceramente, a palavra "meditação" costumava me soar esotérica demais para minha realidade de atribulações do dia-a-dia. Remetia-me a pessoas desligadas do mundo real, sentadas em posição de flor de lótus e rodeadas de incensos e imagens de deuses não muito familiares. Ainda assim, admirava as pessoas que me contavam o quanto alcançavam equilíbrio espiritual com a prática.

Indo mais a fundo, descobri que a prática de meditação está presente nos ambientes mais diversificados, e que está mais ligada ao dia-a-dia do que eu supunha. Até mesmo em ambientes corporativos, técnicas de meditação estão sendo estimuladas entre os funcionários e colaboradores.  Atualmente, mais citada como mindfulness, essas técnicas não são mais do que os mesmos exercícios de atenção à própria respiração, com a finalidade de equilíbrio emocional e estado de presença pleno única e exclusivamente naquele momento.

Aprendi que tal prática não precisa necessariamente durar horas, nem mesmo ser feita apenas uma vez por dia. Ela pode ser de apenas alguns minutos, ou até mesmo de alguns segundos, os quais podem ocorrer na sua própria mesa de trabalho, no sofá de sua casa, dentro de um ônibus lotado, ou onde e quando desejar conectar-se com o que há de mais verdadeiro e concreto na realidade: que o que de fatos temos é apenas esse momento. Apenas essa centelha do presente.

A você, querido leitor ou querida leitora, venho te lembrar que você também respira. Que teu coração bate. Que tuas células trabalham 24 horas por dia sem parar. E tudo isso, quem determina, é a inteligência do teu ser. Inteligência, essa, que no desvão das horas e dos dias, acabamos esquecendo que existe e, com isso, perdemos oportunidades de estarmos despertos à oxigenação de nosso cérebro e de uma profunda conexão com nosso próprio eu.


Grato pela confiança,
Marcelo Pelissioli

sábado, 1 de abril de 2017

"Novo cálculo da rota"


"Eu tenho um aparelho de GPS. GPS é uma sigla em inglês que quer dizer Global Positioning System. Depois que adquiri meu GPS, passei a dirigir com mais confiança, pois meu maior medo sempre foi acabar me perdendo. Comecei a ir para lugares que, sem ele, dificilmente conseguiria ter chegado. Com certeza, o Global Positioning System não é um equipamento que nos possibilite dirigir com os olhos fechados. Algumas vezes, ele nos manda fazer conversões em locais proibidos. Algumas vezes, ele não conecta com o satélite. Algumas vezes, damos umas voltas que julgamos serem desnecessárias para chegar no destino. Assim, uma vez conectado, há de ser usado com moderação e bom senso. E chegamos aonde queremos.
Existem dois fatores principais que fazem o GPS não estabelecer contato com o satélite. Um deles é a própria configuração do aparelho, que deve estar bem calibrado para que ocorra a conexão. A segunda, são condições locais e climáticas, como barreiras de concreto ou tempo muito nublado.
Às vezes, eu olho para o céu, tentando calibrar meu GPS. Eu não vou enxergar o satélite. Mas uma esperança inconsciente me faz crer que posso desviar de barreiras entre o aparelho e o satélite e utilizá-lo da forma mais sensata possível.

Olhando para o céu. Foi a forma que, várias vezes na vida, supliquei a Deus.

GPS poderia ser uma sigla que significasse God Positioning System. Quando algo me acontece, ou tenho que iniciar um novo projeto, procuro convidar Deus a participar também. Com isso, passo a agir com mais confiança, pois meu maior medo sempre é de acabar me perdendo. Com Ele, fui, vou e chegarei a lugares que dificilmente conseguiria ter chegado. Com certeza, o God Positioning System não é algo que nos possibilite viver com os olhos fechados. Algumas vezes, coisas ruins vão acontecer. Algumas vezes, Ele parecerá estar até mesmo contra nós. Algumas vezes, chegaremos a não ter contato nenhum com Ele. Algumas vezes, daremos voltas na vida que julgaríamos serem desnecessárias para complementarmos nossos destinos. Assim, uma vez conectados com Deus, precisamos lembrar que Ele não nos levará ao destino. Os passos são de nossa responsabilidade. Ele nos guiará.
Existem dois fatores principais que fazem não estabelecermos contato com esse GPS. Um deles é o nosso próprio egoísmo em reconhecer nossa pequenez nesse universo imenso. A segunda, são as condições que nossa vida se encontra, com nuvens carregadas de sentimentos e crenças limitantes que pairam sobre nossas cabeças. Às vezes, eu olho para o céu, tentando conectar-me com Deus. Eu não enxergo Deus no céu. Mas uma esperança inconsciente me faz crer que posso desviar das barreiras do dia-a-dia para que possa conectar-me com o Divino da forma mais sensata possível.

E, assim, chegar ao meu destino."


Grato pela confiança,
Marcelo Pelissioli

terça-feira, 28 de março de 2017

Ganhos secundários

Por mais chocante que possa parecer, há um número considerável de sonhos que não foram, e não serão realizados porque esses mesmos sonhos sofreram sabotagem dos próprios sonhadores. A parte ilógica disso, e também a mais triste, é que os sabotadores enxergam vantagens inconscientes para que esses sonhos não se realizem mesmo. 

Muitas vezes, as atitudes de autossabotagem são claras. Aquela dieta que é maculada por uma barra de chocolate 5 minutos antes de se ir para a cama. O inocente cigarro que desfaz o orgulho de se completar uma semana sem fumar.  A dominação da timidez quando o momento exige iniciativa. Outras vezes, os processos de autossabotagem são bastante subjetivos, como a tendência à procrastinação, a estar doente, a chegar atrasado. Ou ainda, o constante desequilíbrio emocional, ou os padrões repetitivos que só geram sofrimento.  A primeira reação de grande parte das pessoas é encontrar razões para culpas em outras pessoas pelos seus problemas e objetivos não alcançados.

Tudo isso parece absurdo, e ainda assim os exemplos acima implicam em percepção de ganhos em nível inconsciente a quem os pratica. Os famosos ganhos secundários.

O que motiva alguém quebrar a sua dieta conscientemente? Voltar a fumar? Perder oportunidades? A resposta pode não estar no objetivo ou nos fatos em si, mas sim, na baixa auto-estima da pessoa, que vem se retro-alimentando de crenças limitadoras ao longo de sua existência. Inconscientemente, a baixa auto-estima busca recolher-se no sofrimento. Por alguma razão, aquela pessoa, em seu íntimo, sente que merece ser punida. Mesmo quando se busca uma nova realidade, será um grande desafio adaptar-se à busca de outro padrão que seja favorável ao novo estado desejado, visto que nossa mente, de forma geral, prefere manter-se em padrões reconhecíveis. Assim, vamos apenas repetindo velhos comportamentos que essa nossa mente viciada já conhece. 

Talvez quebremos a dieta porque ao mantermos nosso corpo no estado indesejado, nutrimos a esperança de punir esse personagem que não queremos mais viver, e que, no fim das contas, continuaremos vivendo. Talvez voltemos a fumar porque, apesar de sabermos dos males à saúde, nosso caminho inevitável é a morte, e não há razão de se ter auto-estima nesse cenário. Talvez sucumbamos à timidez e apatia para termos certeza mesmo que não somos capazes, e que nem vale a pena começar.

O que pode ganhar alguém que chega constantemente atrasado em compromissos importantes? Que deixa para outro dia uma tarefa que poderia mudar sua vida para melhor? Será a satisfação da crença que "eu sou assim mesmo, e não preciso/consigo mudar"?

O que dizer de pessoas saudáveis que vivem com os mais diversos problemas emocionais e de saúde? O quanto dessas disfunções têm origem psicossomática? Qual o ganho secundário? Atenção e piedade das pessoas que a rodeiam? Parecer altamente espiritualizado em seu martírio?

O processo do ganho secundário não é racional. O inconsciente cria sua própria lógica para disparar os gatilhos da autossabotagem. A descoberta das crenças que alicerçam esses gatilhos só pode acontecer através de uma limpeza profunda de todos os cantos de nossa mente, com a revelação de quais zonas são bem conhecidas e quais zonas são sombrias. E a ressignificação dessas crenças limitantes é o processo capaz de despertar-nos para a responsabilidade pessoal pelos nossos mais altos objetivos e realização dos mais queridos sonhos.

Quão poderoso é um diálogo entre as partes dissonantes de uma pessoa. Entre as partes que desejam chegar aos seus objetivos e te impulsionam, e as partes que têm medo, e te refreiam. Travar um diálogo assim é ultrapassar o portal onde se inicia a estrada do autoconhecimento.

Você tem coragem de iniciar esse diálogo?

Grato pela confiança,
Marcelo Pelissioli






sexta-feira, 3 de março de 2017

A Liderança Coach

Imagine a seguinte situação:

Você é um líder de uma equipe. Reúne essa equipe, e faz a seguinte declaração: "que venham comigo aqueles que querem realizar algo sem propósito".

Imagine, agora, a segunda situação:

Você é um líder de uma equipe. Reúne essa equipe, e faz a seguinte declaração: "que venham comigo aqueles que querem realizar algo que faça sentido".

Em qual das duas situações o líder obterá mais seguidores para realizar a tarefa?

É isso o que, basicamente, distingue um Líder Coach: o despertar dos propósitos individuais dentro de uma equipe. Esse Líder colabora para que seu time descubra razões interiores para realizar determinado trabalho ou atividades, mesmo quando essas razões estejam em recônditos obscuros do inconsciente das pessoas.

Em ambientes profissionais como os atuais, onde convivem pessoas de gerações distintas, onde Baby Boomers compartilham suas crenças e valores com gerações X e Millennials, que por sua vez trazem em suas práticas profissionais suas próprias verdades e mapas mentais, uma liderança que catalise o melhor de cada indivíduo para o bem do time e da empresa parece ser o grande desafio do líder que não busca fazer valer apenas seu poder hierárquico para inspirar corações e mentes aos objetivos da empresa. 


                                                                          *   *   *


O que move cada pessoa?

De modo geral, seu propósito de vida. Será que todas as pessoas têm em nível consciente, seus próprios propósitos? Será que sabem exatamente onde querem chegar? Conseguem ver algum sentido íntimo em seu trabalho?

O que ampara esse propósito são as suas crenças e valores individuais. Esses, por sua vez, podem comumente serem percebidos através dos comportamentos. De que forma os comportamentos individuais aproximam ou distanciam as pessoas de seus propósitos? E em que proporção estão em sintonia com os propósitos da empresa?

O Líder Coach se instrumentaliza com essas informações sobre seu time. Mede o grau de maturidade, analisa o alinhamento dos propósitos pessoais com os propósitos da empresa, permite que as pessoas encontrem suas próprias soluções para desenvolverem suas próprias estratégias. Permite espaço para erros, correndo riscos calculados. Dando oportunidade de crescimento ao indivíduo, faz sua própria influência crescer. Ao permitir e estimular o nascimento de mini líderes alinhados com a missão, visão e valores da empresa, faz que essa evolução de seus liderados seja o grande prêmio de sua própria evolução como líder.


                                                                            *   *   *


A parte Líder tem autoridade. A parte Coach não. Porém, a parte Líder pode ser apenas aceita por questões de hierarquia. Já a parte Coach é aceita pelo poder de despertar propósitos. Quantos líderes hierárquicos não exercem liderança de fato, a perdendo para outros líderes que foram capazes de descobrir propósitos pessoais de seus colegas, que são muitas vezes estranhos aos mais básicos princípios da empresa e do bom profissionalismo, gerando vícios? Ao mesmo tempo, quantos excelentes profissionais são perdidos por uma líder que não chegou a se interessar pelos propósitos mais caros da vida desse profissional?

Antes de dar ordens, o Líder Coach faz questionamentos. Antes de limitar-se a escutar já pensando na réplica, procura ouvir o líderado e entendê-lo. Antes de lançar o olhar do alto de seu posto, procura submergir e enxergar o que está  na base do iceberg da equipe.

Ao despertar propósitos que valham a pena para que seus liderados levantem da cama todos os dias e vão trabalhar, faz com que a VIDA de todos faça mais sentido.

Ao ver o sucesso de sua equipe, sabe, em seu íntimo, que aquele também é o SEU SUCESSO.


Grato pela confiança
Marcelo Pelissioli

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

O momento da mudança (2)


Se dependesse unicamente de você, o que você mudaria em sua vida?

A decisão de promover uma mudança que vise o aprimoramento de nossa existência é um fruto que amadurece em tempos diferentes na árvore da vida de cada um. Para algumas pessoas, o senso do desafio motiva a mudança de forma mais incisiva. Para outras pessoas, o senso da segurança obriga que os passos sejam lentos e em terreno bem firme.

Aceitando ou não, a vida está em constante movimento. Nosso próprio corpo se renova seguidamente. Quando olhamos para alguém hoje, e novamente a olharmos dentro de um mês, já não veremos a mesma pessoa, uma vez que todas as células da pele dessa pessoa terão sido substituídas por novas células. Em média, a cada 8 anos nosso corpo se renovará 100%.

Qual seu estado almejado? Procure imaginar esse estado como se fosse uma imagem em movimento, como um vídeo de alguns segundos.  O que há nessa imagem? Onde é esse lugar? Quais são os detalhes, as cores, os sons, os sentimentos? Quais são as pessoas ao seu redor? Tenha essa imagem bem clara, pois é ali que você almeja estar após passar pelo processo de mudança.

A clareza dessa imagem é o que determina os passos a serem dados. Por mais que sejam mudanças provenientes de nossa própria iniciativa, elas vão gerar desafios de diversos níveis, uma vez que, necessariamente, o que buscamos estará fora da nossa zona de conforto. Caberá a cada um dar o primeiro passo em sua jornada para entrar no quadro da imagem do estado almejado.

Sair da chamada "zona de conforto", que na verdade pode nem ser tão confortável assim, mas que pelo menos é conhecida, talvez seja o movimento que mais dispenderá energia. Promover a mudança é caminhar rumo ao desconhecido. É encarar nossas sombras e crenças limitantes. Porém, é apenas nesse caminhar que nosso mapa vai se ampliando, que vamos conhecendo e nos conhecendo mais. Que nossos valores se destacam. Que nossa identidade se revela.

Por vezes, promover uma mudança pode ser algo que pode parecer pequeno, como mudar pequenos hábitos nocivos em nossas rotinas. Outras vezes, mudar significa defender o valor de sua própria vida, que pode estar se esvaindo em uma vazia e melancólica sub-existência. 

"Ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontra as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou." Palavras do grande filósofo Heráclito.


Inspire-se na imagem de seu estado almejado. Planeje. Verifique o impacto de sua mudança ao seu redor. Promova a mudança. Seja melhor. Seja grato.


Desejo que você consiga alcançar a imagem almejada o quanto antes. E que, para isso, promova as mudanças necessárias que dependem de você.


E que são de sua inteira responsabilidade.


Assumir essa responsabilidade pode ser a maior mudança a ser promovida.


Grato pela confiança,

Marcelo Pelissioli



sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

O momento da mudança (1)

Se aparecesse na sua frente um grande botão vermelho escrito "surpresa", que indicaria uma mudança em sua vida, você o apertaria?

"Nada é permanente, exceto a mudança". Como as palavras de Heráclito chegam a você? Como uma bênção ou como uma ameaça?

Existem as mudanças geradas a partir de nossa própria iniciativa. Nessas, buscamos passar para um estado melhor das coisas. Tornar-se o proprietário de um carro, comprar uma casa nova, passar a morar com alguém ou mudar de emprego são alguns exemplos. E existem também as mudanças geradas pelo fluxo dos acontecimentos. Nesses casos, não há um controle inicial do processo, como um revés financeiro, uma demissão ou a perda de um familiar.

Em quaisquer dos casos, um processo de Coaching foca a mudança em si e inspira o cliente a definir estratégias para que se trabalhe com a mudança, ao invés de se trabalhar contra ela, uma vez que se evidenciam primeiramente os aspectos pessoais no que toca a mudança, nas formas que as pessoas envolvidas na mudança se comportam, pensam e agem.

Nesse artigo, vou enfatizar o tipo de mudança imposta sobre nós, Aquela que não escolhemos. Aquela que ocorre mesmo sem apertarmos o botão vermelho.

O livro Sobre a Morte e o Morrer, de Elizabeth Kübler-Ross (Martins Fontes, 2008, 9a. ed.), que apesar da temática da morte, vem sendo utilizado também nos ambientes corporativos nas questões de resistência nas mudanças estruturais das empresas, traz o seguinte modelo no que se refere às mudanças não planejadas:

A linha refere-se a uma maior (topos) ou menor (pontos mais baixos) condição psicológica de se lidar com os eventos indesejados. De uma situação inicial (status quo, o terreno conhecido), para a ocorrência da mudança, o comportamento mais comum é que se procure manter essa situação mesmo após a mudança acontecer, uma vez que a condição já é familiar, e assim, teoricamente "segura". Quando se percebe que o status quo mudou em definitivo, ocorre o choque e os sentimentos de medo do desconhecido, em maior ou menor grau. A curva artificialmente se eleva quando se inicia o processo de negação, um momento de resistência onde procuram-se culpados pela nova situação, e quando parece ser suficiente que se resista àquela novidade para que ela não exista. As pessoas apresentam uma falsa percepção de como lidar com aquele momento.  Este, aliás, é um comportamento que pode solidificar-se em algumas pessoas, refreando-as de aprendizados com esta ou outras mudanças na vida. Superada essa etapa, segue um processo de queda da linha, onde ocorre a conscientização de que a o status quo não é mais o mesmo que o inicial, podendo ser o momento mais desafiador da mudança, uma vez que as pessoas podem começar a questionar suas próprias capacidades de lidar com a nova situação.  E a depressão costuma morar nessas redondezas.

O momento da virada se dá quando ocorre a aceitação da mudança. As pessoas tomam responsabilidade pessoal sobre como encarar a mudança e deixam de resistir e permitem-se aprender com o fato novo. A partir de então, pela observação de exemplos e pelo aprendizado que a nova postura gera, a pessoa passa a ascender na curva, integrando novas capacidades e habilidades que a experiência da mudança lhe causou, iniciando um novo status quo.

De modo geral, as pessoas emergem desse mergulho psicológico mais flexíveis e com novos conhecimentos, uma vez que precisaram aprender a desenvolver habilidades para lidar com o novo estado das coisas. A autopercepção das competências das pessoas que chegam a esse patamar cresce, e muito, assim como sua própria força psicológica.

Conhecer a si mesmo é fundamental a fim de gerar resiliência suficiente para que o intervalo entre o primeiro e o último status quo do processo ocorra de modo mais linear, com o menor geração de stress possível. Para isso, aliar a sabedoria de quem de fato você é, quais são seus valores, suas crenças e suas capacidades com as novas situações é fundamental para que o medo que as mudanças não planejadas trazem nos paralise.

O medo mesmo pode nem ser das mudanças. Nem das consequências das mudanças. O medo pode, no fim das contas, ser mesmo uma reação ao que conhecemos de nosso mapa mental, que pode estar cheio de pontos cegos e nunca explorados. E exatamente nesses pontos podem estar nossos mais poderosos recursos para se lidar com o momento da mudança.


Grato pela confiança,
Marcelo Pelissioli


segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

A Cerimônia do Chá

Outro dia, lembrei-me da cerimônia japonesa chamada chanoyu, a famosa cerimônia do chá. E não foi tomando chá. Foi fazendo a barba.

No Japão, a cerimônia do chá é um evento formal onde basicamente um anfitrião recebe convidados para tomar chá. O grande diferencial da cerimônia é a atenção plena a absolutamente todos os detalhes envolvidos. Desde o cultivo das plantas que servirão como chá, até as vestimentas tradicionais, os arranjos de flores, os tipos de louças, os incensos, tudo é preparado com cuidado e esmero. O anfitrião segue um ritual de gestos e frases ao dirigir-se aos convidados. Esses, por sua vez, também têm formalidades a serem obedecidas de modo que a cerimônia siga toda a formalidade e tradição. Todos estão atentos, o tempo todo.

Acredita-se que todos os procedimentos da cerimônia japonesa do chá possam passar de uma centena, de modo que o estudo da cerimônia não acaba nunca. Parte da filosofia envolvida no ritual é que, apesar da tradição e dos formalismos, nenhuma cerimônia conseguirá ser igual à outra.

*   *   *

Estava estreando uma lâmina de babear nova. Todo o cuidado é pouco. Cortar o rosto é bem fácil. 

Conforme uma lâmina de barbear vai sendo utilizada, seu fio vai se perdendo, e uma pressão mais forte precisa ser impressa contra o rosto para o intento de barbear-se. Embora bem leve, essa pressão vai aumentando gradativamente, e não raro os cortes no rosto acabam sendo ocasionados por lâminas já usadas, mesmo. Isso ocorre exatamente pela distração. Por estar no piloto automático. Por não estar presente.

Na ocasião do barbear com a lâmina nova, iniciei um pequeno e cuidadoso ritual. Tudo para não haver cortes no rosto. Passei a espuma no rosto com cuidado, examinei a lâmina nova, percebi que eram na verdade três lâminas em um aparelho. Cheguei a identificar uma estranha beleza no design e no pequeno brilho que as lâminas geraram ao passar pelo ângulo da lâmpada do banheiro. Foram criadas para cortar. 

Fiz a barba lentamente. Devagar. Meu momento. Com atenção plena. 

Últimos retoques. Nenhum fio. Enxáguo o rosto, lentamente, Vejo-me no espelho, mais tempo do que o normal. Nenhum corte. Eu comigo mesmo. Eu presente ali. E naquele momento. E apenas ali, naquele momento. Atenção plena.

Então, lembrei da cerimônia do chá.

*   *   *

Das três dimensões do tempo, o presente seja talvez o que mais requeira atenção para conseguirmos estar nele. Frequentemente, estamos no futuro, nos afazeres do futuro, no que faremos na próxima hora, no próximo final de semana, no próximo mês... devemos ter claro o que é viver nosso planejamento e o que é viver apenas ansiedade. Ou estamos frequentemente no passado. Nas lembranças do que deu errado, nos traumas, nas sombras... também quanto ao passado, é necessário sabermos diferenciar o que é experiência que nos auxiliará no presente e o que é apenas combustível para a fogueira da depressão.

Estar presente no aqui e agora é talvez o princípio fundamental para o alcance das metas que temos na vida. Na verdade, não há outro lugar em que possamos estar que não seja no aqui e no agora. Porém, quando não há atenção plena no presente, isso nos leva a produzir demais sem resultados expressivos, ou não produzir quase nada, com resultados praticamente nulos. No fundo, não viver o presente com atenção é não saber muito bem o que estamos fazendo. 

Não faz muito que estamos nos dando conta disso. Mindfulness. Atenção plena.

Conceito esse que os orientais estão alguns séculos na nossa frente.

Grato pela confiança,
Marcelo Pelissioli

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

O salto



Qual é a altura que desejamos chegar? Qual nosso potencial e preparo para superar os obstáculos? Qual é o poder de nosso foco naquilo que temos como objetivos? O quanto acreditamos em nós mesmos?

São com questões assim que inicio esse artigo, inspirando-me em um dos capítulos mais impressionantes dos Jogos Olímpicos de 2016. A final da competição masculina de salto com vara.

Na noite de 15 de agosto de 2016, chegam à final da competição de saltos sete competidores. A cada aumento da altura do obstáculo, aqueles que não a alcançam vão sendo eliminados. E assim foi: 5,50 m, 5,65 m, 5,75 m... quando a marca chegou em 5,85 m, restavam apenas três competidores. O americano Sam Kendricks ficou nessa marca. E conquistou a medalha de bronze.

Restaram dois: o brasileiro Thiago Braz, uma jovem promessa do atletismo, e o francês Renaud Lavillenie, atual recordista mundial, com 6,16 m. A próxima meta a ser batida era a altura de 5,93m. E ambos tiveram êxito em seus saltos. 

O francês mostrava a confiança de quem ainda tinha muito para dar. O brasileiro, apesar de impassível perante os saltos do francês, sabia que estava chegando em seu limite. 5,93 m era exatamente a melhor marca de sua carreira.

Próxima altura: 5,98 m. Lavillenie ousa, e solicita a colocação da barra em altura acima do recorde olímpico. Concentra-se. Faz o movimento de erguer a vara. Corre. Salta. Ultrapassa a barra. E, ainda no ar, em queda livre contra o colchão inflável, comemora a quebra do recorde olímpico, e da consequente medalha de ouro.

O público vibra. Não é à toa que ele é o campeão do mundo. Nesse momento, não há ninguém no mundo melhor que Renaud Lavillenie.

E agora, Thiago? É a sua vez! Vai ter que superar o melhor do mundo, e 5,98 m de altura.

*  *  *

Peço para que o leitor faça uma pequena pausa na leitura desse artigo, agora, e procure colocar-se no lugar de Thiago Braz. Um jovem de 22 anos. Infância conturbada. Tentativa frustrada de vida esportiva no basquete. Lesão que precisou de intervenção cirúrgica dois anos antes, exatamente quando começava a despontar para o esporte. A pressão da competição em seu próprio país. A necessidade de alcançar uma altura que nunca havia saltado, e que, ainda por cima, havia se tornado o novíssimo recorde olímpico. A competição contra o recordista mundial.

Caro leitor: imagine que é você quem vai saltar. Visualize-se. Sinta-se.  Focando no sucesso desse salto que nunca fizeste, procure manter um padrão mental que não leve em consideração nenhum fator que pudesse te sabotar ou desestimular. Que foque única e exclusivamente nesse exato momento. Que não há nada ao seu redor. Consegue seguir focado 100% no sucesso?


                                                                                *  *  *

Thiago solicita a altura a 6,03 m. Ele nunca havia passado dos 6 metros de altura, nem mesmo nos treinos.

Posiciona-se. Concentra-se. Em um movimento seguro, ergue do chão a vara com a clássica pegada pronada. Olhar fixo. Inicia a corrida. Velocidade. Vara no chão. Impulso. Segundos de silêncio no estádio. Cada músculo do corpo solicitado. Volta pela barra feita. Passou o peito. Barra imóvel. Queda livre!!!  Thiago conseguiu!!!

Thiago superou seu limite. Fez o que nunca tinha feito. Chegou a uma altura nunca alcançada. Não só ultrapassou, e muito, sua melhor marca, como quebrou o talvez mais efêmero recorde olímpico, conquistado alguns minutos antes pelo francês. 

Renaud Lavillenie parecia incrédulo. Aquilo podia estar mesmo acontecendo? Tentou mais dois saltos, e não conseguiu igualar Thiago. Seu olhar acusava um duro golpe, um olhar de quem havia perdido a confiança. Seu foco ficou difuso. Reclamou do barulho da torcida nas arquibancadas. Seu treinador chegou a reclamar do sobrenatural e de forças místicas.

Thiago Braz conquistou sua medalha de ouro, é isso que ficará na história dos Jogos Olímpicos. O que este artigo singelamente procura pontuar é o que está por trás dessa conquista. 

Thiago foi treinado pelo ucraniano Vitaly Petrov, mentor de lendas do salto com vara como Sergey Bubka e Yelena Isinbayeva. E ele sabia que estava se preparando da melhor forma que podia.

Thiago, em diversas entrevistas, reconheceu que teve momentos de quase desistência do esporte, principalmente na lesão que teve em 2014, quando caiu de um salto fora do colchão, o que lhe abalou muito não apenas na parte física e motora, mas que minou sua confiança em seguir em um esporte de altura. Apesar disso tudo, também citou a força que sentia da família nesses momentos sombrios, e principalmente de sua espiritualidade.

Thiago estava com foco total no agora, mente limpa e coração leve. "Nesse momento da corrida (para o salto), tento não pensar em nada, em não me distrair com nada, até mesmo com o público", 

Assim, Thiago Braz realizou algo que nunca tinha realizado. Chegou, literalmente, a um lugar mais alto, aonde jamais havia estado. Superou, literalmente, um obstáculo que nunca havia superado. Ele confiou que tinha as condições para o sucesso almejado. Só faltava ir lá e fazer o que tinha que ser feito.

Que o ano de 2017 seja um ano em que alcancemos esse mesmo estado. Que realizemos feitos nunca realizados. Que cheguemos mais alto do que jamais imaginamos. Que superemos obstáculos até então considerados intransponíveis. Que nos conheçamos. E que confiemos plenamente em nós mesmos.

E que, para isso, façamos tudo o que tenha que ser feito para chegarmos lá.


A Inner Selfie expressa toda sua gratidão por esse ano de 2016, com a certeza da evolução de nossas vidas em 2017.

Grato pela confiança,
Marcelo Pelissioli






segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

O leito de morte de nossos sonhos

Um dos exercícios que pratiquei em minha jornada como Coach foi a de imaginar-me em meu próprio leito de morte. O exercício consiste em visualizar-se no ambiente em que você viverá seus últimos minutos, com as pessoas queridas, uma a uma, despedindo-se de você, e você dizendo as últimas palavras a cada uma dessas pessoas. Esse exercício para mim, foi extremo, o mais desafiador que já havia praticado. Bastante pesado. E, na mesma proporção, um dos mais surpreendentes em termos de resultados.

Em um momento derradeiro como o do exercício, o que realmente passa a ter importância? O que fica? Do que eu mais sentiria falta? Como é saber que todas as chances acabaram?  O que eu diria a cada uma das pessoas que viessem me ver pela última vez? Quais sentimentos fariam sentido?

Aliás, O QUE faria sentido?

E meus sonhos e aspirações, aquilo que nem tentei, vão morrer junto comigo? Eles parecem muito mais saudáveis do que eu! Vou me tornar um verdadeiro túmulo de meus sonhos, e enterrá-los vivos dentro de mim? 

*  *  *

Na ocasião da construção da minha primeira casa, havia no terreno um arbusto que é conhecido como espinheira-santa. Muitas pessoas diziam que aquela planta era um chá eficiente contra diversos males do aparelho digestivo, entre eles, gastrites e úlceras. Eu estava feliz com aquele pequeno arbusto no quintal, até que me dei conta que a garagem passaria exatamente sobre a planta, que teria que ser cortada. E foi. E o concreto veio por cima.

Eis que o arbusto de espinheira-santa caiu no esquecimento. Até um ano e meio mais tarde.

Do meio do concreto, pela lateral da garagem, um pequeno broto da espinheira-santa passou um ano e meio forçando e lutando pela sua vida, ziguezagueando espaços na escuridão em direção à luz. Na consciência vital das fortes raízes que ficaram, a planta buscou espaços milimétricos para romper a dureza do concreto, e surgir de volta para o mundo. Ela cresceu. De tempos em tempos eu precisava dar uma podada, mas nunca mais tive coragem de cortá-la. Ela venceu seu próprio túmulo.

Assim são nossos sonhos. Eles se debatem dentro de nós. Eles sabem quem somos e quem podemos ser. Eles também têm uma consciência vital. Eles estão, tal qual o exemplo da espinheira-santa, procurando brechas para chegar à luz. 

*  *  *

Quando o exercício do leito de morte acaba, um sentimento de alívio muito forte tomou conta de mim. "Ufa, eu estou vivo"! E, apenas por me dar conta que eu estava VIVO, percebi a quantidade de coisas que tenho para realizar, de sentimentos bons para compartilhar, de pessoas que tenho HOJE que dizer que amo, que viver a gratidão é uma arte, e que é preciso praticar o perdão, em seu mais profundo senso, começando primeiramente a perdoar a mim mesmo.

Invista, e invista muito, em seus sonhos. Outro dia, ouvi que "a cada sonho abandonado, um anjo fica desempregado"...

Está difícil de "quebrar o concreto e alcançar a luz?"

O Coaching está aí para você.

Grato pela confiança,
Marcelo Pelissioli





terça-feira, 29 de novembro de 2016

Enredado

Como é bom sentir a plenitude de nossa energia vital!

Seja com visões e ações que nos encham o espírito de iluminação, como admirar um nascer do sol na praia, a satisfação de um trabalho bem feito, ou ainda com situações frugais e corriqueiras, como estar em paz diante de uma xícara de café, pão e margarina, ou apenas por rir de algo bobo, mas que nos diverte. Estamos em nosso eixo. Estamos inteiros. Estamos em paz. Estamos VIVOS.

A consciência dessa energia vital e suas possibilidades proporcionam um senso de liberdade capaz de transcender os fatos do dia-a-dia. Assim, se tem a convicção que, por mais desafios que tivermos que encarar na vida, teremos força e flexibilidade suficientes para não esmorecer nunca. O desânimo e o abatimento momentâneos são não mais do que uma merecida retomada de forças para seguir. Apesar da estranheza, tudo está bem.

E consideramos que tudo está bem. Externamente.

Passam-se alguns dias. Algumas semanas. Alguns meses... certo dia, uma mensagem telepática nos surge, não se sabe de onde, gentilmente nos convidando a responder a seguinte pergunta:

"Estou retomando ou desperdiçando minha energia vital?"

Estamos sempre a um passo de sermos capturados por uma rede, tal qual um peixe, e ficarmos presos indefinidamente. Basta não olharmos para nós mesmos, para nossas coisas, nosso interior, nossos sentimentos, nosso próprio fluxo de energia vital.

Presos a sentimentos que não param de gritar em nossas cabeças, impedindo que nossa energia vital se manifeste. Ressentindo fatos que já não servem para nada. Presos a situações e hábitos as quais não mais desejamos, mas que não podemos contar para ninguém. Presos a pessoas que, pelas mais diversas razões, insistimos em manter em nossas vidas. Presos a dependências financeiras que nos tornam escravos de um valor em dinheiro que nunca se alcança. Presos a trabalhos que não estão alinhados com a expressão de nossa mais pura natureza. Presos a nós mesmos, nas limitações que temos. Ou melhor, nas limitações que nosso velho ego insiste que temos.

Então, somos como peixes presos em uma rede. Quanto mais nos debatemos em nossa autocomiseração, mais enredados e sem esperança nos tornamos. E assim, como os peixes. sem mais nenhuma energia vital, morreremos.

Ainda bem que temos escolha.

Diferente dos peixes na rede, chega o momento de responder à pergunta: "estou retomando ou desperdiçando minha energia vital"? Se o caso for a segunda opção, acredite que tudo o que está "prendendo" você em sua realidade pode ser transformado em uma liberdade igualmente real. Não se trata de largar tudo irresponsavelmente.  Trata-se de conhecer-se. Responsavelmente.

Qual o senso mais desenvolvido em você: o senso da segurança ou o senso do desafio?

Não serão as suas "redes" originadas a partir de seu senso menos desenvolvido?

Retomando forças através de uma readequação de atitudes e crenças, ou libertando-se através de uma reconfiguração sadia de mudanças e padrões mentais que respeitam seu senso mais desenvolvido enquanto fortalecem o menos desenvolvido, o importante é sentir, em seu âmago, que há muita vida pulsando, que há muito por fazer, que sua missão nessa vida está em pleno curso, e que cada segundo que se passa é uma gota preciosa de vida que encontrou o mar da memória, e que não retornará. 

Esse misterioso dom que temos chamado VIDA merece ser experimentado em sua mais profunda essência. 

Grato pela confiança,
Marcelo Pelissioli




quarta-feira, 16 de novembro de 2016

As sombras

Um dos livros mais instigantes que cruzou meu caminho nos últimos tempos foi, sem dúvida, "O Efeito Sombra" (ed. Lua de Papel, 2010), de Deepak Chopra, Debbie Ford e Marianne WIlliamson. Nele, os autores definem a "sombra" como " tudo aquilo que não queremos ser, mas somos. É aquele sentimento escondido de todos, e aquele desvio de comportamento que uma pessoa considerada boazinha possui. É o desejo de se entregar ao vício, de explodir, de brigar. É toda a energia que tentamos não ter." Em poucas palavras: a centelha inicial em nossos processos de autossabotagem.

Essas partes obscuras de nosso ser psíquico, em grande parte das vezes, já vêm tomando forma e proporção desde nossas infâncias. De forma geral, as sombras vão ganhando terreno em nossas vidas na medida que agimos para construir uma personalidade que seja aceitável aos outros, mas que não integra todas as nossas dimensões e necessidades de modo satisfatório.

O que dizer das nossas listas de prioridades, de nossa organização, de nossos planos de negócios, da equalização de nossas finanças, ou até mesmo de nossa dieta quando, de repente, fazemos algo que põe tudo a perder: se temos que focar nas prioridades, nos distraímos com coisas sem nenhuma importância. Se precisamos nos organizar, procrastinamos até que não haja mais tempo para nada. Se temos um plano de negócios, nos refugiamos no terreno conhecido do que já temos por medo do insucesso. Se buscamos reorganizar nossas finanças, acabamos fazendo uma compra de algo que, horas, ou às vezes, minutos depois, nos causa apenas arrependimento. Quando decidimos fazer dieta e, após um dia disciplinado de alimentação, atacamos os doces da geladeira cinco minutos antes de ir dormir... as sombras são sorrateiras, e só podem ser combatidas de uma maneira: através de sua aceitação.

Se formos capazes de encarar nossas sombras, em suas mais diversas formas (pessimismo, arrogância, vitimismo, procrastinação, zona de conforto), e reconhecer que elas não são nossas inimigas, mas sim, partes feridas de nós mesmos, e que anseiam por amor e aceitação, alcançaremos a integração daquilo que o livro chama de "self", ou seja, nosso próprio eu da forma mais plena. É com essa integração que nossa luz é capaz de vencer nossas sombras.

Tenho uma imagem mental de que aquilo que chamamos de "zona de conforto" seja um lugar bem sombrio. E sair dessa sombra, em busca de nossa luz, pode ser um exercício desafiador, até mesmo doloroso. E quantos de nós estão aparentemente bastante seguros em suas sombras? Não estariam, na verdade, apenas temendo sua própria luz?

Olhar para essas zonas sombrias de nossa alma tem sido a parte mais impressionante que os processos de Coaching tem me proporcionado. Integrar as sombras e acender as luzes do nosso interior para sermos seres plenos em nossa essência. Cuidando com carinho tudo o que trazemos em nossos corações, renovando esperanças e atitudes com foco em tudo que podemos ser, e aonde queremos chegar.

Grato pela confiança,
Marcelo Pelissioli







quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Minha experiência nos Alcoólicos Anônimos


Parte de minha formação como coach ocorreu visitando sessões dos Alcoólicos Anônimos. Não que eu tenha a doença do alcoolismo. Apenas resolvi entender os sinais que a vida (Deus, Universo, Inteligência Superior, como queira...) estava me enviando. Simplesmente me senti inspirado a visitar as sessões. E a inspiração pode muito bem ser uma mensagem telepática vinda de um futuro almejado.

A história do serviço dos Alcoólicos Anônimos remonta aos Estados Unidos de 1935, quando dois alcoólatras, Bill W. e Dr. Bob se conhecem e, decididos a deixarem o álcool, encontraram, um no outro, um amparo que transcendia os tratamentos da época. Ampliando o escopo do tratamento contra o álcool com elementos espirituais e que prezavam pela responsabilidade pessoal, conseguiram se manter sóbrios e, em pouco tempo, iniciaram o novo modelo de tratamento com outras pessoas que tinham a doença do alcoolismo. Com o passar do tempo, o tratamento foi se refinando, estabelecendo-se passos e tradições, as quais são seguidas invariavelmente da mesma forma em mais de 150 países, atualmente.

Para o A.A., o alcoolismo é uma doença que não tem cura. A própria Organização Mundial da Saúde, desde 1967, considera o alcoolismo uma doença.

Durante minha formação de coach, em minhas leituras, estudos e vivências, um determinado padrão de postura perante a vida começou a se tornar repetitivo. Algo como "tenha coragem de fazer o que depende de você, e saiba aceitar o que não depende de você". Pelo menos, uma vez por dia, esse padrão aparecia. Em um livro, em alguém com quem eu conversava, em algum fato... até que surgiu, já não lembro como, em minha frente, a Oração da Serenidade:


Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária 
para aceitar as coisas que não podemos modificar, 
Coragem para modificar aquelas que podemos, 
e Sabedoria para distinguir umas das outras.


Sinteticamente, esse era o padrão da mensagem telepática que o Universo estava me mandando. E descobri que é com essa era a oração que o A.A. inicia todas as suas sessões.

A partir daí, deu-se o insight: como os Alcoólicos Anônimos promovem a mudança de comportamento naqueles que desejam combater essa doença incurável do alcoolismo em suas bases físicas e espirituais? Como é a dinâmica dos encontros para essa promoção?  De que forma resgatam o ser humano em sua integridade?

"Promover a mudança de comportamento naqueles que desejam"... "ser humano em sua integridade".... "coragem para modificar as coisas que podemos"... Ora, essas são dimensões que o Coaching também trabalha! 

De repente, me vi numa quarta-feira à noite, em meio a pessoas com histórias de vida dramáticas, e que estavam ali em um processo de afirmação de seu propósito de se manterem sóbrios. Estavam se enxergando um nos olhos dos outros, compartilhando de uma mesma situação, e se amparando mutuamente. Tinham o desejo ardente de mudar, e, para isso, contavam com a noção de que uma força superior a eles (que pode ser entendido como Deus, mas não necessariamente) os apoiaria. Tinham um objetivo, e estavam alcançando. Não de uma vez. Mas a cada 24 horas. 

Visitei duas sessões do A.A., onde fui extremamente bem recebido. Todo o processo foi explicado a mim de modo claro e abrangente. Interagi bastante com os participantes. O trabalho é muito sério. Aprendi muito, e sou muito grato por isso. Tenho certeza que sou um coach melhor em relação a mim mesmo por ter tido a oportunidade dessa experiência. 

Vencido o preconceito, vencida a estranheza, vencida a acomodação, tive aprendizados e reflexões sublimes sobre minhas práticas de Coaching, e também, sobre uma das organizações mais admiráveis do mundo, que são os Alcoólicos Anônimos. 

Aceitei a mensagem telepática do Universo.

E você, tem recebido mensagens assim ultimamente?


Grato pela confiança,
Marcelo Pelissioli