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terça-feira, 24 de março de 2020

Restrições e Forças Singulares


Tão importante quanto conhecermos nossos pontos fortes é conhecermos nossos pontos a desenvolver. Até porque são os nossos pontos mais frágeis que delimitam até onde podemos chegar.

Nossa tendência é focarmos apenas em ampliar nossas forças, sem prestarmos atenção que, ao desenvolvermos nossas forças singulares, precisamos também ampliar o lastro para crescimento do campo onde residem características que temos como restrições. Por exemplo, qual é a utilidade de cobrirmos uma casa com o telhado mais caro se o alicerce está a ponto de ceder? Como sustentar um padrão de vida mais caro do que é possível financeiramente? De que adianta termos conhecimentos que não são praticados quando mais precisamos deles? De que serve termos uma inteligência exemplar se não arranjamos canais para colocá-la em prática?

Naturalmente, conhecer nossas forças singulares é o combustível espiritual para chegamos onde queremos. Por forças singulares, entendamos como aquilo que, para cada um de nós, é tão simples de fazer a ponto de nem ser percebido como força. São aquelas características únicas que as pessoas ao nosso redor costumam dizer que, quando as empregamos, realizamos muito bem, ou seja, são nossas forças e características próprias, normalmente aquelas pelas quais somos lembrados. O que precisamos manter também sob nosso foco são nossas restrições, aquilo que temos de limitado para alcançar ou fazer o que queremos, e aí, podemos encontrar restrições de tempo, de dinheiro, de conhecimento, de saúde, de padrões cognitivos, e tantas outras. Querendo ou não, são apenas dentro da restrição desses limites que nossas forças podem se movimentar.

Convido à reflexão se, quando alcançamos algum objetivo, estamos mesmo alcançando novos patamares de nossas forças singulares, ou se estamos mesmo ampliando o terreno restritivo, dando mais espaço para nossas capacidades se pronunciarem.

Estamos no ápice de nossas forças, ou superando nossas limitações?

Aquilo que nos torna seres únicos são nossos pontos de força e de restrição. Reconheçamos tanto os aspectos de força quanto nossos limites. Saibamos olhar sem medo tanto para nossa luz como para nossas sombras.

Grato pela confiança,
Marcelo Pelissioli



quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

As armadilhas da comunicação (dita) assertiva


É sabido que a assertividade na comunicação é uma das características mais valorizadas nas relações interpessoais. Entende-se a assertividade como a habilidade de expressar pensamentos de modo que não haja nem rodeios nem esquivas na comunicação, sem perder de vista o respeito pelo interlocutor e a segurança própria naquilo que se apresenta.
Mesmo aprendendo e praticando as mais variadas e avançadas técnicas de comunicação, ainda podem acontecer ruídos na conexão entre emissor e receptor, ruídos esses capazes de causar transtornos graves nas relações pessoais e profissionais.  São diversos os fatores que podem ocasionar esses ruídos, o principal, o tecido psíquico no qual todos nós estamos imersos, como se fôssemos peixes dentro da água. Esse tecido que nos conecta é formado de diferentes elementos por cada um de nós, uma verdadeira colcha de retalhos de filtros cognitivos que fazem com que alguma mensagem emitida, antes de chegar, flua por esse tecido psíquico até o território de percepção de quem recebe a mensagem. Assim, não basta emitir bem uma mensagem. Precisamos é que ela chegue o mais limpa e menos distorcida possível.
Para tal, conhecer o modelo de Estilos Sociais, desenvolvido por David Merril, é               de suma importância. Esse modelo demonstra graficamente de que modo agimos e interagimos com o mundo, a partir do grau de determinadas características.
Algumas pessoas têm preponderantemente um estilo analítico, tendem a fazer cálculos das situações e valorizar estruturas e mapeamentos. Outros tendem a ser pragmáticos, visando o resultado desejado antes de qualquer outro elemento. O modelo ainda prevê o estilo expressivo,  que gera comunicação espontânea e, por vezes, monológica. Por fim, há o estilo diplomático, cuidadoso na comunicação para evitar conflitos. Todos nós temos em diferentes graus esses quatro estilos sociais facilmente percebidos na comunicação, podendo, sua utilização, trazer benefícios ou prejuízos em diferentes situações.
Imaginemos a comunicação entre pessoas de diferentes estilos, todos com desejo sincero de praticarem assertividade. O estilo diplomático pode tornar sua mensagem cansativa e redundante ao pragmático. O expressivo tende a ter sua mensagem percebida como pueril pelo analítico. A mensagem do analítico pode soar enfadonha ao pragmático que, por sua vez, pode emitir uma característica de frieza à percepção diplomática.
Aperfeiçoar nossas linhas de comunicação para que se adequem ao nosso público ou interlocutor é tarefa fundamental para o cultivo de bons relacionamentos e alcance dos melhores resultados, seja na vida profissional ou pessoal. Conhecer o quanto de cada estilo temos em nós mesmos, e em quais situações tendemos a ter mais ou menos de cada um deles, é um prêmio recebido por aqueles que estão trilhando o caminho do autoconhecimento.

Grato pela confiança,

Marcelo Pelissioli
 

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Competências além da técnica


Tal qual satélites naturais ao redor de um planeta, orbitam a pura competência técnica que o mundo profissional exige, quatro características que foram elencadas pela renomada publicação Harvard Business Review, as quais formam um sistema em equilíbrio a ser interiorizado por aqueles que almejam alçar voos profissionais mais altos:

1 – Desejo de superação: que fique claro que superação não significa necessariamente trabalhar muito, mais sim, trabalhar bem. É nos resultados obtidos que se mede a produtividade de um profissional, de modo que a superação mencionada está naquilo que se gerou de produto positivo ao final da empreitada.  Esse desejo é aquele incômodo que o profissional que busca ascensão sente todo o tempo, um pequeno motor que o move para obter sempre um pouco mais em termos de resultado. É ser capaz de se aproximar as “dores” dos donos da corporação de onde trabalha, ou de seus clientes, buscando as melhores medidas para minimizá-las.

2 – Sensores dinâmicos para relacionamentos: muito se fala sobre como será o mercado de trabalho no futuro. Ao que tudo indica, uma parte significativa das profissões dos próximos 30 anos passará por grandes transformações, uma vez que tudo o que puder ser padronizado acabará sendo robotizado. Nesse contexto, o diferencial competitivo das profissões estará exatamente naquelas habilidades que distinguem a nós, seres humanos, dos robôs: inteligência emocional, empatia, resiliência e capacidade de adaptação. Até pouco tempo, havia o alerta para o desenvolvimento mais profundo dessas habilidades nas crianças de hoje, uma vez que ocuparão um mercado de trabalho ainda incerto em suas ocupações. Porém, precisamos nos dar conta que muitos de nós ainda estarão trabalhando nos próximos 30 anos e, ao não termos bem desenvolvidas nossas capacidades de relacionamento inter e intrapessoais, seremos sérios candidatos ao ostracismo profissional.

3 – Espírito empreendedor: não se trata necessariamente de se tornar um empresário. O espírito empreendedor de um profissional pode aflorar mesmo em uma condição de empregado dentro de uma empresa, de modo que esse assuma a organização como sendo sua. A isso, dá-se o nome de empreendedorismo corporativo, uma habilidade a qual o profissional entranha a corporação, seus processos e resultados, não como se isso fosse uma forma de diminuir-se, mas sim, possibilitando que a empresa seja um verdadeiro palco onde esse profissional possa gradualmente mostrar todo seu potencial.

4 – Capacidade catalítica de aprendizado: o profissional de hoje precisa estar sempre aprendendo. Vivemos um momento histórico de volatidade profunda, o que nos obriga a estarmos reciclando conhecimento e garimpando novos aprendizados constantemente, sob pena de, em breve, nos tornarmos profissionalmente obsoletos. O aprendizado, nesse ínterim, não significa apenas o desenvolvimento tecnicista, mas sim, o aprendizado que vem da soma dos fatores que resultam em uma diminuição de energia para serem ativados e, dessa forma, em redução expressiva na velocidade de reação. Ou seja: aprendizado rápido e prática resultante desse aprendizado ainda mais rápida.

Já há algum tempo, a responsabilidade pela carreira de um profissional deixou de estar nas mãos das empresas e passou para as mãos dos profissionais. Condições de ascensão profissional serão um caminho de mão dupla, pois as empresas que não as criarem perderão os melhores profissionais, assim como muitos profissionais ficarão estacionados em suas carreiras se não criarem condições de evolução para si mesmos. 


Grato pela confiança,

Marcelo Pelissioli
 
 

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Essa mania de correr errado


Já fazia tempo que praticava corrida e me sentia bem. Fazia bastante esforço, abria mão de fazer outras coisas, treinava, deixava a preguiça de lado e corria. Todos os dias.
Tinha orgulho de estar correndo entre outros corredores notadamente mais experientes e bem melhor preparados do que eu. Apesar de meus resultados muito abaixo do que eu gostaria, eu estava lá, no meio, me esforçando.

Apesar de tudo, os resultados eram ruins. Normalmente, chegava do meio para o fim do total dos participantes nas corridas, apesar de todo o treino, dedicação, estudos, pesquisas e controle de alimentação.
Eu comecei a botar na cabeça que “bem, se meus resultados não são tão bons, tudo bem, pelo menos estou fazendo algo pela minha saúde, e isso é o mais importante. Preciso perseverar e continuar correndo.
Até que veio a primeira lesão, por excesso. E o que era para ser saudável se tornou um problema de saúde.
Então me recuperei como foi possível, e voltei a correr. Pois a saúde agradeceria.
Não agradeceu muito. Veio a segunda lesão. E bem pior.
Agora, eu não tinha nem bons resultados nas corridas e nem estava colaborando com minha saúde com o que eu estava fazendo. Vivi o famoso “murro em ponta de faca.” Continuar para quê?
Bem, eu me recuperei e continuei correndo. Mas já não mais tanto com as pernas. Hoje, corro com a cabeça e o coração.
***
Quantos de nós, que estamos lendo esse singelo texto, já se pegaram em suas vidas enaltecendo seus esforços e ignorando os resultados? Quantas vezes a vida vira um mero exercício de sobrevivência a cada novo dia, sem nos darmos conta que estamos tendo não mais do que migalhas de ganhos? Quanto tempo, força e energia desperdiçados para tão pouco retorno?
Quanta insistência em projetos sem perspectiva, em querer mudar pessoas, em nos apegarmos a crenças obsoletas, em suportar stress, em achar que estamos sempre certos, quando estamos, no fim das contas, dilapidando nossa própria existência.
***
Quanta corrida fiz que, no final das contas, foi mais um furacão que me levou de arrasto no desvario impensado dos dias, semanas, meses e anos sem reflexão e retomada de controle do que oportunidade de exercer minha própria vontade em fazer o que era melhor para mim.
Quanta corrida errada. Não quero mais.
Quero correr certo. Do jeito que dá certo. E vou aprender medindo meus resultados ao longo do tempo. Estudando. Observando. Ouvindo. Experimentando. Sentindo.
Meus esforços são só meus, e eles por si mesmos não me trazem nada. São os resultados que vêm de meus esforços e de minha experiência que devem valer a pena. Por algum motivo obscuro, nos orgulhamos de nossos sofrimentos, mesmo quando os resultados, sejam eles quais forem, não servem para quase nada.
***
Hoje, eu sigo correndo. Persistindo. Não se pode parar.  Só que agora, sigo sob a perspectiva dos resultados bons que minhas limitações de ser humano podem permitir. Feliz e grato por poder me esforçar, mesmo que por vezes o esforço seja um grande exercício de vontade, mas sem perder de vista o que de bom meus esforços investidos vão trazer.
Seja lá o que for que estivermos fazendo: que a experiência valha a pena.

Grato pela confiança,

Marcelo Pelissioli
 
 

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

“Sim, senhora”


Se pudéssemos enxergar dentro de nossa psique as crenças que sustentam nosso ser, existe a chance de não acreditarmos sermos nós mesmos. Isso porque nosso conjunto de esquemas cognitivos e crenças é construído tal qual um iceberg. O grande bloco de sustentação da sua composição está submerso em nosso inconsciente. Apenas uma pequena parte pode ser acessada pela mente racional e consciente, sendo o trabalho de uma vida a busca pelo autoconhecimento que trará à tona aspectos de nosso ser que não temos a menor ideia que estão em nós. 

Funcionamos no jeito que funcionamos em função de nossas crenças. Agimos, vivemos, sofremos, nos emocionamos, nos alegramos, entramos em pânico, nos limitamos, nos potencializamos tudo em virtude de nossa construção de esquemas e crenças, construção essa que começa ainda na vida intrauterina e se desenrola fortemente na primeira infância. A cada dia, a cada mês, a cada ano, a tendência de cristalização de crenças, conscientes ou não, é mais forte, ou seja, vamos nos tornando cada vez mais prisioneiros delas, e menos capazes de mudarmos. 
 
É claro que não desejamos o mal a nós mesmos. Porém, enquanto seres com crenças que habitam em um inconsciente infinito, não conseguimos nos dar conta que, a nossas crenças, podemos responder apenas uma coisa: “sim, senhora”.  
 
Podemos dizer que nosso cérebro vem de fábrica com um padrão negativo. Isso é necessário para nossa sobrevivência. Assim que temos fome, quando bebês, choramos, pois sabemos instintivamente que ficar com fome  compromete nossa existência. O homem das cavernas que sobreviveu para contar a história foi aquele que melhor equilibrou a negatividade do medo com a necessidade de caçar um animal muito maior que ele. E essa negatividade persiste em nós, e precisa inclusive ser até certo ponto cultivada, caso contrário, corremos o risco de nos tornarmos inconsequentes em atitudes que tenham resultados bastante indesejados. 
 
Entre os inúmeros vieses cognitivos que nossas crenças produzem, destaca-se o viés de confirmação. Esse viés é um verdadeiro software tendencioso que corre em nós, pois é ele que nos faz procurar por evidências que confirmem as crenças que estão profundamente arraigadas em nós. Passamos pela vida tentando colecionar confirmações de crenças pré-existentes, tornando-nos cegos para evidências que contradizem nossas certezas. E seguimos pela vida repetindo para nossas crenças o mantra “sim, senhora”. 
 
O viés de confirmação faz com que lembremos de informações de forma seletiva, e acabemos esquecendo ou ignorando aquilo que a crença possa entender como antagonismo. Assim, acabamos produzindo julgamentos alicerçados em fatos que não temos muita certeza de onde vêm. Acabamos firmando posições mesmo quando racionalmente não temos muitos argumentos. Vivemos uma vida limitada pelo que a voz interna da crença nos prega, às vezes aos gritos. Respondemos apenas “sim, senhora”. 
 
Encarar a voz dessa senhora pode ser uma missão muito dolorosa. Uma verdadeira cirurgia mental capaz de identificar de que parte aquela voz vem. Descontruir crenças limitantes e reconstrui-las mais úteis é o único jeito de seguir uma perspectiva de que não estamos nos reprimindo em virtude de situações que ocorreram no passado. Encarar essa voz e agradecê-la pela preocupação de tanto tempo, afinal, essa senhora sempre quis apenas o nosso bem ao nos proteger. Só que na vida que se deseja viver agora, ou ela se adequa, ou não vai mais ser ouvida.
 
Para podermos nos libertar da velha senhora mandona, e dizer SIM à vida que almejamos, com segurança e felicidade.
 

Grato pela confiança

 

Marcelo Pelissioli
 

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

A inteligência não está só na cabeça


Pessoalmente, sempre vi o corpo humano como uma sistema  no qual o cérebro soberanamente envia ordens e informações ao restante dos órgãos e tecidos. Se fosse numa empresa, seria aquela dinâmica tradicional do “chefe manda, subordinado obedece”, mais modernamente chamada de top-down approach na Administração.
Mas não é assim que funciona. E descobri isso de duas formas: com a inteligência mental e consciente do cérebro, e com a inteligência corporal e inconsciente dos sentimentos.  Em outras palavras: na prática.
Aprendi que grande parte do movimento das informações que transitam entre os órgãos e o cérebro tem origem nos próprios órgãos, indo em direção ao cérebro, e não ao contrário. Ou seja, as informações “sobem”, e não necessariamente “descem”. Na Administração, chamaríamos essa abordagem de bottom-up. Dos órgãos, toda informação que sai é daquilo que é oriundo das emoções e sentimentos, através da química corporal.
Nosso corpo é formado por bilhões de neurônios, dos mais variados tipos e especificidades, os quais, por mais incrível que possa parecer, não estão apenas no cérebro, mas espalhados pelos órgãos, os quais, por essa razão, conseguem apresentar até mesmo tipos autônomos de inteligência. Exemplos são os intestinos, considerado por muitos médicos como um “segundo cérebro”, por seu funcionamento estar atrelado a condições gerais do organismo, pela grande quantidade de neurônios presentes no órgão, e até mesmo por ser o único órgão do corpo que pode funcionar de modo autônomo em suas tomadas de decisão, sem precisar que o cérebro o diga o que fazer. O próprio coração já vem sendo estudado em algumas de suas particularidades, aparentando algumas características como se agisse como um cérebro primitivo, por também funcionar de acordo com condições que vão além do físico, tendo inclusive, nuances de memórias próprias.
Fatores de desequilíbrio orgânico, entre eles o estresse, ansiedade, medo e depressão acionam um verdadeiro piloto automático em nossas vidas, algumas vezes a partir de fatores bem definidos, mas na maioria das vezes são questões cumulativas, pequenas, detalhes do dia-a-dia que não prestamos a devida atenção, detalhes esses que nosso organismo, para suportar, precisa gerar quantidades de neurotransmissores e hormônios para nos deixar em estado de prontidão. Nosso sistema nervoso tende a voltar do estado de prontidão constante ao estado natural de funcionamento depois que conscientemente entendemos que o perigo, real ou imaginário, passou, só que as toxinas deixadas em nosso organismo continuarão lá. Acumulando. Acumulando. Acumulando. Quando menos esperamos, sorrateiramente nosso organismo está empapado por grandes doses de toxinas, rastros de momentos de tensão que viram um verdadeiro veneno ao corpo. Com isso, nossos órgãos não conseguem se valer de suas inteligências normais e acabam reagindo de modos inesperados. O resultado disso são os problemas de saúde e doenças que se estabelecem, tudo porque deixamos abertas portas e janelas psicológicas que culminam na intoxicação e consequente disfunção da inteligência de nossos órgãos.
Enquanto em pessoas mais racionais, por uma questão de sobrevivência, a mente costuma disparar a emoção do medo do desconhecido, nas pessoas mais emocionais o coração se arrisca a tomar decisões incertas. É fácil perceber que nenhuma dessas características por si só é benéfica. É o equilíbrio entre esses dois pontos o que proporciona o melhor estado para tomarmos decisões. Os sentimentos “quentes” nos convidam a sentir o mundo. Nossa mente vai fazer o cálculo “frio” da situação.
Alcançar essa harmonia é um grande desafio. Diariamente, a inteligência de nosso corpo é testada, às vezes duramente. Às vezes, por longos períodos.  Nem sempre conseguiremos encarar esse desafio sem ajuda. Convém colaborarmos com nosso corpo – físico e emocional -  para que sua inteligência intrínseca possa ser utilizada na plenitude. É sábio não deixarmos para amanhã para olharmos para nós mesmos de forma integral, pois nosso corpo é nosso templo, e um templo não merece ser tomado de assalto pelo mal, mas sim, respeitado e mantido no mais alto grau de benevolência. 

Grato pela confiança,

Marcelo Pelissioli

 
 
 

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Pontos C.H.A.V.E.

No meio administrativo que estuda o comportamento organizacional, cada vez mais se torna comum a expressão “Gestão por Competências”, referindo-se à identificação de perfis profissionais que sejam capazes de se entranhar da forma mais natural possível ao ambiente corporativo, gerando, assim, o melhor retorno sobre o investimento da contratação de alguém. Para essa gestão, o acrônimo C.H.A., criado por David McClelland, vem, ao longo dos anos, sendo bastante utilizado, significando Conhecimentos, Habilidades e Atitudes.
A necessidade do funcionamento orgânico de um profissional em uma empresa de forma mais rápida fez com que esse acrônimo evoluísse de C.H.A. para C.H.A.V.E., o qual, atende agora por Conhecimentos, Habilidades, Atitudes, Valores e Entorno.
Vamos brevemente descrevê-los:
C, de Conhecimentos:  é o saber intelectual, é aquilo que foi adquirido através do estudo.  Aqui se inclui todo o conhecimento acadêmico, os cursos, os livros lidos e as palestras assistidas;
H, de Habilidades: é o saber fazer, a experiência prática, fatores que a exposição e a lida proporcionaram ao profissional. Refere-se às tentativas e erros, e o aprendizado proveniente disso.  É nosso conhecimento aplicado, como o uso de ferramentas, idiomas, inteligência emocional, entre outras.
A, de Atitudes: é o comportamento propriamente dito, o “querer fazer” e o modo com que o profissional se relaciona com seus conhecimentos e habilidades e seu entorno. É a disposição de fazer acontecer, de tomar decisões, de ser protagonista, de avançar ou recuar;
Ao C.H.A., atualmente se somam:
V, de Valores: são os “porquês”, os propósitos e as crenças do profissional. Do alinhamento pessoal desse item com os valores da empresa pode emergir uma comunhão benéfica e duradoura. Por outro lado, o descompasso nesse item fragilizará a relação a tal ponto que haja rompimento assim que uma das partes não mais conseguir tolerar indiferença ou agressão ao que lhe é fundamental;
E, de Entorno: é o ambiente, o espaço físico e psicológico, as condições necessárias de tempo e espaço que propiciam, mesmo que temporariamente, a melhor performance possível. Refere-se a entender o momento e as circunstâncias em que se está inserido.
Para as organizações, uma contratação não baseada em competências pode acarretar em um alto custo de tempo e dinheiro. Para o profissional, não ser capaz de entender sua C.H.A.V.E. e poder mensurar seus pontos fortes e de melhoria pode, igualmente, significar frustração de expectativas e instabilidade na perspectiva de carreira e na vida almejada.
Muitos alicerces de conceitos como liderança, gestão de pessoas, empregabilidade e recursos humanos vêm sendo rapidamente desconstruídos e remontados. Cabe a cada um de nós conhecermo-nos cada vez mais para acompanhar as novas tendências naquilo que se espera de um profissional de excelência e, igualmente, do que um profissional de excelência espera de uma organização.

 

Grato pela confiança,

Marcelo Pelissioli
 
 

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Profecias autorrealizáveis


“Viu?” “Eu disse!” “Eu sabia!”
Entre os diversos fenômenos que ocorrem a partir de nossa interpretação da realidade, destaco nesse texto as chamadas “profecias autorrealizáveis”, termo cunhado pelo sociologista norte-americano Robert King Merton, há quase um século. O termo é instigante por si só, e podemos estar sofrendo suas consequências em nossas vidas nesse exato momento. Consequências, essas, vindas de ações praticadas por nós mesmos.
Antes de mais nada, convém lembrar que aquilo que chamamos de “realidade” nada mais é do que apenas a nossa interpretação do que vivenciamos a partir de nossos sentidos. Essa vivência é filtrada por nossos esquemas cognitivos ou crenças, as quais nos devolvem um breve relatório daquilo que estamos vivendo. Assim, nossa interpretação mais ou menos distorcida da realidade nunca poderá ser 100% objetiva, uma vez que, invariavelmente, passará por filtros que podem nem ser conscientes. E, de acordo com a teoria das profecias autorrealizáveis, são exatamente as interpretações de uma situação que desencadeiam ações, as quais, na sequência, geram consequências.
Experiências dessas práticas no campo educacional são bastante conhecidas. Professores que trabalharam  com novas turmas as quais foram orientados que eram formadas por alunos brilhantes alcançaram médias de notas bastante superiores a turmas as quais os professores foram informados serem de alunos medianos. Na realidade, os alunos das duas turmas tinham capacidades e background  similares. A leitura da situação alicerçada em uma crença (consciente ou não) determina condições para que atitudes que se encaixem naquele contexto sejam tomadas, de modo que a internalização de rótulos negativos ou positivos seja, desde o início, um guia para o destino de nossas viagens pela vida.
Da mesma forma que nossas crenças embasam nossas atitudes, nossas expectativas mudam nossos comportamentos. Por exemplo, quando tenho a expectativa de que vou trabalhar com alguém “antipático”, meu comportamento pode  tender a ser defensivo e superficial. Assim, a outra pessoa faz a sua própria leitura de que somos nós os antipáticos da história, girando o círculo vicioso que leva as nossas profecias a se tornarem realidade.
Quando tenho para mim, e principalmente quando assumi publicamente, que não sou bom suficiente para determinado emprego, condição financeira, relacionamento, o que seja, a tendência mais forte é que meus comportamentos e atitudes, por mais incrível que isso possa parecer,  corroborem para exatamente em não conseguir alcançar as coisas que dizemos desejar. Não  procuro olhar com mais cuidado para minha carreira, ignoro minha relação de prioridades financeiras, não me permito oportunidades, e acabo agindo exatamente da forma como não gostaria, desde que esteja adequado àquilo que acredito.
As profecias autorrealizáveis, assim, se realizam não necessariamente baseadas em atração ou pensamento positivo ou negativo. Muito antes, elas se realizam porque, infelizmente, fazemos de tudo para que elas aconteçam.
No que é chegada a hora de mudar o “eu sabia” para “eu vou fazer diferente”?

Grato pela confiança,
Marcelo Pelissioli


quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Um chasque de qualidade



Apesar de vivermos uma era onde a comunicação e a informação são onipresentes, isso não quer dizer que nossa qualidade como chasques consiga acompanhar essa velocidade em termos de qualidade, sem que nos empenhemos em seu aprimoramento.
As maiores dificuldades dos chasques se encontram em não delimitarem o campo ao que é observável, deliberando imaginariamente diversas realidades paralelas que originam mais apreensão do que soluções. Outro ponto de importância na qualidade do chasque é não se dar conta das necessidades envolvidas na situação, suas e do outro, o que funciona como uma espécie de sublinhado naquilo que se deseja expressar. Um terceiro ponto é a expressão dos sentimentos. Um chasque bem instruído traz em sua mensagem as motivações emocionais implícitas no que reporta, uma vez que são elas que movem primariamente. Por fim, o chasque em si apresenta algo na forma de um pedido, o que pode acabar sendo entendido de verdade como um pedido baseado em observação, necessidade e sentimento, ou acabar soando como uma exigência. Nesse último caso, nosso interlocutor só tem duas opções: ou submeter-se, ou rebelar-se.
Essas ideias, que provêm do modelo de comunicação conhecido como Comunicação Não-Violenta, são a matriz para novos paradigmas em nossos contatos intra e interpessoais, de modo que a comunicação em si seja gerada por chasques mais assertivos, objetivos e positivamente persuasivos. Não se trata de ser apenas bem educado: trata-se de possibilitar ao chasque o seu melhor resultado, e ajudar com que ele chegue ao coração e à mente de quem ele precisa alcançar, gerando maior conexão e menos resistência.
Somos levados a repetir padrões comunicativos ao longo da vida, e dificilmente paramos para nos perguntar se esses padrões estão realmente sendo efetivos ou não, até o momento em que pensamos em nossos resultados como chasques. Qual tem sido o grau de sucesso em nossas abordagens comunicativas?
E antes de encerrar, caso eu porventura não tenha observado que algum interlocutor não estivesse me acompanhando, “chasque” é uma palavra utilizada nos círculos nativistas do Rio Grande do Sul, que significa “mensageiro”.  Posso também não ter percebido a necessidade do meu leitor em saber disso desde o começo, nem seus sentimentos em relação a isso durante a leitura dessa mensagem. Também, não lhe pedi que soubesse o significado de antemão.  Se for assim, comprometo-me, da próxima vez, a melhorar minhas habilidades como chasque!
 
Grato pela confiança,
Marcelo Pelissioli
 
 

segunda-feira, 1 de julho de 2019

O filho de Dédalo


Não bastassem os apuros vividos por Dédalo para conseguir a liberdade do labirinto que ele mesmo havia criado, a mitologia grega nos oferece a continuação de sua história.
Eis que Dédalo e seu filho, Ícaro, encontram abrigo e amizade em um reino onde são tratados com distinção. Vivem bem, até que Dédalo acaba por repetir antigos erros e acaba preso em uma ilha, juntamente com seu filho. Não encontrando saída, dessa vez, Dédalo e Ícaro criam um plano de fuga que consiste em encontrar cera e penas de aves para criarem asas, as quais possam os fazer voar para fora da ilha. Após algum tempo, e com as asas criadas, Dédalo adverte Ícaro que, ao voarem , não deverão voar tão baixo que possam molhar as penas das asas no mar, nem tão alto que o calor do sol possa derreter a cera.
O plano deu certo. Conseguiram, pai e filho, alçar voo. Ícaro, porém, deslumbrado com o poder de suas asas, voou alto demais, o que acabou por derreter de fato a cera das asas, causando sua queda e morte. A Dédalo, não restou nada mais a não ser lamentar pelo resto da vida.
***
Repetir erros passados não quer dizer necessariamente que somos ruins ou incapazes. Talvez, não seja nem verdade que repetimos erros, propriamente. O que fazemos mesmo é repetirmos padrões. Mesmo sabendo que nossos resultados serão desastrosos, uma força estranha nos impossibilita de fazermos diferente, e vamos repetindo velhos comportamentos ao longo da vida. Mesmo sendo nítidos os maus resultados provenientes desses comportamentos, insistimos em não querer agir diferente, ou pelo menos darmos uma chance ao novo.
De tais padrões obsoletos, já sabemos de antemão que precisaremos de força extra para elaborarmos nossas “fugas”, criarmos nossas “asas” para superar tais momentos. E assim vamos seguindo, pela vida. Quando, depois do planejamento, estamos a ponto de superar as adversidades e executar o plano, ou acabamos “voando tão baixo” que nosso voo acaba sendo impedido, ou nos deslumbramos com a paisagem sem considerar os riscos propriamente.  Seguimos contornando problemas, ao invés de resolvê-los. E a perspectiva é que problemas não encarados exijam nossa atenção até que, ou eles acabem conosco, ou nós os resolvamos.
***
A figura icônica de Ícaro, nessa estória, não apenas representa o encantamento de ser capaz de alçar altos voos precipitadamente, mas também representa o futuro de Dédalo, em uma metáfora do filho sendo a vida futura do pai. Dédalo, que em sua vida teve diversas boas oportunidades e reconhecimento, colocando tudo a perder mais de uma vez, acaba vendo o filho (futuro) morrendo mesmo tendo sendo orientado sobre a melhor forma de voar.
No final das contas, qual a utilidade das melhores orientações, quando a prática não condiz com o que aprendemos?
***
Caro leitor, que nossos erros do passado sejam professores de duras lições, as quais, quanto mais rápido aprendermos, mais instrumentalizados para a vida seremos. Que sejamos capazes de reconhecer nossos padrões financeiros, profissionais, sentimentais, e pessoais que vão se repetindo, e sermos capazes de entender se eles nos potencializam ou nos limitam. Que no nosso futuro próximo, nossos voos sejam sustentáveis, nem tão altos nem tão baixos: apenas o suficiente para que alcancemos nossa liberdade.

 

Grato pela confiança,

Marcelo Pelissioli
 
 

sexta-feira, 31 de maio de 2019

O labirinto do Minotauro


Conta a mitologia grega sobre Dédalo, um grande engenheiro e inventor que, certa feita, foi requisitado pelo Rei Minos para construir um imenso labirinto que pudesse aprisionar um ser metade homem, metade touro, o Minotauro. Esse ser, por sua aparência medonha, foi menosprezado por toda a sua vida, tornando-se um monstro enfurecido que se alimentava de carne humana.
Aceitando a empreitada, Dédalo iniciou o trabalho da construção do labirinto utilizando todo o seu conhecimento. Eis que, de repente, seu trabalho tornou-se tão perfeito que ele mesmo se viu aprisionado dentro do próprio labirinto que construíra, junto com o Minotauro que vagava pelos corredores de idas e vindas do local. Dédalo, a muito custo, alcançou a saída, não sem antes ter tido que encarar o medo de não conseguir encontrar sua liberdade e ser devorado.
***
Quantas vezes em nossas vidas acabamos como Dédalo? Quantos “labirintos” em nossa mente e em nosso espírito nós mesmos criamos para isolar nossos monstros, e no fim, acabamos por estarmos presos junto deles, sem conseguir encontrar uma saída? Quantos desses monstros devoradores de gente que nos cercam são como o Minotauro, resultado de acúmulo de medos, desprezos e negações desde nossa mais tenra infância?
Quantos de nós já desistiram, e vivem apenas se esgueirando nesses obscuros corredores da mente, apenas torcendo para que o Minotauro não os encontre? Quantos outros decidiram de corpo e alma encarar o desafio e encontrar a saída? Para esses, fica a pergunta: quais são os nossos recursos disponíveis, ou que podem ser desenvolvidos, para encarar a saída desse labirinto?
A busca de Dédalo pela sua liberdade de algo que ele mesmo criou é metáfora viva das coisas que nós também criamos e acabamos aprisionados. Valer-se de todo o seu conhecimento e autoconhecimento, de sua engenhosidade e de seus dons foi o que salvou Dédalo. Resta-nos elevar nossa visão e perceber em que pontos de nossa vida estamos em emaranhados aparentemente insolúveis, nos quais cada vez nos embrenhamos na escuridão mais e mais. Quais padrões de comportamento vamos repetindo e repetindo obtendo resultados pífios. Quais modelos de pensamento que nos causam apenas dor, em nome de uma pretensa segurança.
Não há quem não viva em seus labirintos. Não há quem não conviva com seus Minotauros. Há, porém, os que procuram olhar ao redor e interpretar o aqui e agora além de seus próprios mapas mentais, e a todo amanhecer não apenas torcem para encontrar saídas, mas vão se nutrindo física, mental e espiritualmente para complementar a empreitada que chegará com a luz do portão de saída.

Grato pela confiança,
Marcelo Pelissioli


terça-feira, 7 de maio de 2019

Inteligência para resiliência

Termo que vem primordialmente da física, e que conceitua o quanto de energia ou pressão um material consegue suportar sem se romper e voltar ao seu estado anterior, “resiliência” tem sido também, nos últimos anos, um termo utilizado para designar o quanto de reveses e intempéries uma pessoa é capaz de suportar física, mental, espiritual e emocionalmente. É uma palavra que está no vocabulário atual, a ponto de algumas pessoas reconhecerem-se como “resilientes”.

Que a vida vai nos apresentar contextos desafiadores é fato. Que seremos personagens de contextos indesejados também. Assim, “ser resiliente” parece ser uma habilidade vantajosa de ser desenvolvida.

Mas como?

Só se conhece a resiliência de um material quando ele é testado na pressão. Será que para conhecermos nossa resiliência pessoal também precisamos de uma forte dose de sofrimento? E se não “passarmos no teste”, e nos despedaçarmos, nos mais diversos sentidos?

Suportar o sofrimento estoicamente até pode ter um quê de admirável, de romântico, do arquétipo de guerreiro. No fundo, se esse sofrimento não gerar aprendizado potencializador, acabará sendo perdida uma grande chance de evolução. Pensemos que, antes de associarmos resiliência pessoal à capacidade de aguentar o sofrimento por si só, a associemos à inteligência de encontrar as melhores estratégias para conviver e superar o contexto indesejado em que nos encontramos. Inteligência, aqui, trazida como uma capacidade de se resolver problemas com uma visão de futuro.

Encontrar caminhos, desenvolver táticas, aprimorar flexibilidade, fazer uso de nossas faculdades cognitivas e comunicativas, autoconhecer-se, agir ou não agir, todas essas são formas estratégicas de sermos resilientes em momentos de sofrimento. Pensemos que, de qualquer forma, a pressão continuará sendo exercida sobre nós, teremos que ser “fortes” de qualquer jeito, a diferença é que essa resiliência estratégica nos proporciona muito mais potencial para suplantarmos esses momentos e, finalmente, voltarmos a nossa forma inicial. Lembremos que essa é uma grande vantagem que temos sobre a borracha, o concreto, ou outro material sujeito a um teste de resiliência: a esses, só lhes resta suportar. A nós, é dado o dom da inteligência.


O sofrimento ou nos humaniza, ou nos embrutece. São nossas estratégias de resiliência que definirão o resultado.



Grato pela confiança,
Marcelo Pelissiloli
 
 
 

sábado, 6 de abril de 2019

“Eu tenho que” ou “eu escolho”?


O que define a maturidade de uma pessoa, em termos psicológicos? Acredito que não seja a idade, nem as experiências, e nem ao menos a capacidade prática de se lidar com a própria realidade a partir do seu ângulo de visão, mas sim, entendo que a maturidade é atingida quando assumimos 100% a responsabilidade sobre nossas vidas.

Assumir essa responsabilidade é questão de exercício, e cada pessoa levará o seu próprio tempo para chegar ao estágio máximo dessa consciência. Muitos entre nós, inclusive, não conseguirão chegar a essa conclusão em seu tempo de vida.

Lembremos que existem ocorrências que temos controle direto, realidades que podemos criar, outras que podemos alcançar um controle indireto, e outras que absolutamente não teremos controle nenhum. Mesmo assim, a ilusão de que podemos exercer controle sobre tudo, ao contrário de parecer libertadora, é uma verdadeira prisão de grades feitas de ansiedade e angústia. Em outras palavras, os contextos os quais seremos personagens nem sempre serão de nossa preferência.

Nesses momentos, somos levados a “ter que” agir como se fôssemos escravos de nós mesmos. “Preciso acordar muito cedo porque tenho que trabalhar”. “Preciso trabalhar porque tenho que pagar minhas contas”.  “Tenho que me esforçar mais do que os outros porque meus pais não me deram estudo”.  “Tenho que parecer feliz para que as pessoas gostem de mim.” “Tenho que fazer dieta porque não me sinto bem com meu corpo”.

É muito provável que o contexto em que você está não esteja sobre seu controle, mesmo. É muito provável que esteja fora do seu controle ter um emprego estável sem ter que acordar cedo. Que o trabalho formal seja, de imediato, uma forma mais segura de pagar as contas. Que sua infância tenha sido bem mais carente do que a de outras pessoas do seu círculo social. Que, com tudo isso, a atenção ao seu corpo físico tenha ficado em segundo plano.

São exemplos de contextos que não temos muito controle. Você não é necessariamente responsável por esses contextos.

Então, o que você “tem que fazer”?

NADA. Absolutamente, você não “tem que” fazer NADA!

O segredo está naquilo que você ESCOLHE fazer nesses contextos. Como escolhe se comportar, e como escolhe agir. “Eu escolho acordar cedo para trabalhar, de livre e espontânea vontade, pois escolho ter mais liberdade e tranquilidade para pagar minhas contas”. “Eu escolho me aprimorar nos meu tempo disponível porque isso é parte do caminho para meus sonhos”. Eu escolho manter os melhores níveis de relacionamento com as pessoas, para meu próprio bem-estar”. “Eu escolho ter carinho com meu corpo físico, pois ele é o templo onde residem todas as minhas aspirações e potencialidades”.

No fundo, tudo o que fazemos, pensamos e sentimos são nossas escolhas.  Ser consciente de que somos 100% responsáveis por elas é primordial para deixar de enganar a si mesmo e seguir evoluindo.

Encerro com os ensinamentos de Sun Tzu, que no clássico “A Arte da Guerra” nos ensina: “A água escolhe o seu percurso de acordo com o terreno que atravessa. O guerreiro busca a vitória de acordo com o inimigo que enfrenta”.

Grato pela confiança,
Marcelo Pelissioli



quarta-feira, 13 de março de 2019

A Curva S dos nossos projetos


Imaginemos o início de um projeto qualquer: um novo emprego, um novo relacionamento, a aquisição de um grande bem, qualquer coisa. Saibam que, a todo momento, esse projeto pode ser graficamente  apresentado a partir da chamada Curva S.












A base do S é o início do projeto. Ele costuma ter desenvolvimento lento, na mesma proporção em que nosso aprendizado vai se construindo ao longo do tempo. A evolução que começará a apontar o desenho do S para cima terá início a partir do momento em que sistematizações começarem a funcionar, de modo que o aprendizado começa a ser mais prático, intuitivo e rápido. Essa linha em ascensão, inevitavelmente, chegará a um platô de evolução onde não mais apontará para cima, mas sim, cada vez mais para a direita. É o momento em que já há muito se superou a fase do aprendizado, que já não há mais para onde subir ou melhorar, e já podemos nos considerar  vivenciadores avançados naquele contexto.

Quando nos encontramos na ponta extrema superior do S, existem três possibilidades:


1)      Plantar-se nesse contexto sem criar novas perspectivas. O famoso “em time que está ganhando, não se mexe”. Mas, pensando bem, temos controle sobre a forma que os times que até então estavam perdendo para nós vão jogar amanhã? Deixando tudo como está, estamos sendo responsáveis pela manutenção do sucesso de nossos projetos, ou apenas contando com a sorte?

2)      Ver o topo, o fim do S como um precipício sem fim. Sentir no coração uma ponta de frustração ao perceber que se chegou ao topo, e que não há mais para onde subir. À beira da escuridão de um precipício o qual escalamos com força e vontade genuínas, alguns de nós podem ficar contemplando o vazio indefinidamente. Outros podem, em um momento de desespero, se atirar no nada. E outros podem aproveitar o momento para ir ao próximo nível de seus projetos, sonhos e objetivos.

3)      Iniciar uma nova curva S! Elevar os padrões! “Subir a régua”!  Quando nos sentimos em um platô de evolução, nada nos impede de o utilizarmos como uma base para um salto que nos levará ao ponto inicial de um novo S em nossa vida, passando novamente pelos estágios de lento aprendizado, evolução e manutenção do status quo.



A mudança que tanto esperamos não precisa necessariamente ser de emprego, de pessoas, de recursos financeiros ou de possibilidades. A mudança mais importante de todas é quando percebemos que paramos de evoluir, e decidimos retomar nossa evolução elevando nossos padrões começando de novo de um patamar mais alto, de forma consciente e responsável.


E assim, indefinidamente podemos seguir nos elevando ao longo da vida. O aprendizado de hoje é o elemento essencial para o avanço de amanhã. Vamos empilhando Ss ao longo do tempo. E que cada um deles seja o guardião de uma história inspiradora a quem nos perguntar como anda nossa vida.

Grato pela confiança,
Marcelo Pelissioli